INUTIFILIA |Alguns motivos para ler Proust

Imaginemos uma paisagem: um quarto trancado, com a janela de frente para a rua e chove. Chove o suficiente para escurecer o quarto, e, ao fundo, podemos ouvir vozes ecoando pelos corredores no fim das escadas. No térreo correm os ecos das taças brindando com lustres e a atmosfera dourada das festas de gala, sons que ricocheteiam pelo corredor e alcançam o quarto, como se fizessem a festa iluminar e se apossar do cômodo escuro. Ao mesmo tempo, as pessoas andam com os guarda-chuvas pelas janelas embaçadas, só podendo se notar as silhuetas e um burburinho de cores pálidas pelo vidro todo baço, se cruzando com o som da festa. Os risos e os violinos contrastam com a janela e a escuridão, fazendo do quarto um ambiente concomitante ao existir da vida lá fora e da festa. Móveis, champanhes, violinos e homens de guarda-chuva parecem coexistir nesse lugar enegrecido pela chuva, flutuando em uma espécie de comunhão entre as sensações e a força imaginativa da escuridão. É esse estranho lugar que a escrita parece habitar no interior da obra de Proust: um espaço capaz de se modificar e capaz de se transmutar em coisas, sensações e objetos. Um espaço, curiosamente, feito de tempo.

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Boulevard Montmartre (1897), de Camille Pissaro. Apesar de não existirem evidências temporais muito explícitas, Em Busca do Tempo Perdido parece existir durante o período de 1910 a 1920. Um dos motivos que nos levam a crer nessa ambientação (como cabriolés, toaletes e a escrita extremamente fancy da Belle Époque), é a concomitância com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que é registrada de modo paralelo ao romance. La Ville des Lumières,  a saber, Paris, torna-se juntamente com Combray e Balbec (duas cidades fictícias criadas por Proust) o espaço dos eventos da narrativa.

Em Busca do Tempo Perdido, ou ainda La Recherche du Temps Perdu, é a principal obra literária do escritor francês Marcel Proust (1871 – 1922), que constantemente faço questão de citar ao longo dos Inutifilias que se seguiram. Certamente, e sem muito hesitar, podemos afirmar categoricamente que o grande tópico que o livro deve tratar é este: O Tempo. É evidente que tratar do Tempo não deva ser lá tarefa muito fácil, tampouco deva ser o tipo de escrita que seja simples, intuitiva e que nos conduza de maneira fácil e prática através de suas conclusões. Não. Aliás, pelo contrário. De fato, estamos no interior de um quarto escuro, ofuscados pelos sons e imagens que são refletidos através de nós. O primeiro grande aspecto curioso de Proust se faz no fato de que o narrador não é um observador que contempla esses movimentos, tampouco é aquele que age sobre os movimentos que esse quarto executa: ele é o próprio quarto. Ler Marcel Proust é uma tarefa de formar esse quarto que se movimenta e se transforma de acordo com o fluir do ambiente através da escrita que lembra: Ler é propriamente recriar aquilo que está guardado nas palavras.

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Um salão parisiense (1880), de Jean Béraud. O Impressionismo possui no interior do trabalho de Proust extrema influência, pois a emergência de uma arte que se pretende abordar os registros da vida parisiense foi uma oportunidade de expressar o aspecto tedioso e rotineiro da vida burguesa. Essa premissa do registro de pinturas tratando de banalidades fez com que Proust, como creem alguns teóricos, buscasse se assemelhar a uma técnica de escrita diretamente influenciada por esse tipo de pigmentação. É válido observar que no romance, existe um personagem chamado Elstir, que justamente é um pintor impressionista.

Supostamente, Em Busca do Tempo Perdido é uma obra dividida em 7 volumes: No Caminho de Swann, À Sombra das Raparigas em Flor, No Caminho de Guermantes, Sodoma e Gomorra, A Prisioneira, A Fugitiva e o Tempo Redescoberto. É provável que seja uma das maiores senão a maior obra da literatura universal em termos de páginas: 3500 páginas de um processo rememorativo incansável que aplica a sua busca pelo Tempo e como se tornar um escritor. Ao longo desse processo, somos convidados a discutir e observar uma quantidade infindável de assuntos: Belas-Artes, vida dos salões burgueses, relações amorosas, adultério, homossexualidade, o próprio tempo e a própria atividade de escrever (literalmente um meta-texto). Tudo isso é apenas o mínimo e essencial que se resguarda em 3500 páginas. Se formos mencionar a quantidade de personagens, é possível que pudéssemos parar de produzir conteúdo para o Inutifilia e passar mês a mês falando sobre eles durante anos: sem nenhum exagero, são centenas de personagens.

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Retrato de Valentin Louis George Eugène Marcel Proust, ou tão simplesmente Marcel Proust (1871-1922) por volta dos 30 anos.

Entretanto, apesar dessa enorme extensão (em tamanho e assuntos) que é o romance de Proust, é possível traçar um itinerário claro da proposta do trabalho em seu aspecto global: em que medida compreender a passagem do tempo e como, durante o tempo de uma vida, se pode encontrar um motivo válido o suficiente para se tornar um escritor. De maneira extremamente radical, podemos conceber o ponto de partida de Proust como dos mais trágicos e difíceis de serem refutados: o passar do tempo é a degradação da existência, pois pouco a pouco nos aproximados da morte e o passado que nos resta definitivamente se perde. Se perder, aqui, não se trata exatamente não ser capaz de ser encontrado, mas sim de não conseguirmos mais reavê-lo, porque ele efetivamente se destrói. O Tempo destrói tudo e se destrói consigo próprio. E o Tempo com letra maiúscula não é meramente um capricho, mas sim uma consideração sobre a imponência dessa força destrutiva que somente o passado, no caso, a memória, é capaz de preservar. Logo, como ser capaz de fabular uma experiência do passado, tal como é essa história da vida através do tempo que é composta pela escrita, e que ela seja capaz de sobreviver a degradação natural e cronológica da realidade dada por esse mesmo tempo? Por isso devemos propriamente estar Em Busca desse Tempo Perdido. No título em francês, o termo Recherche possui como tradução “pesquisar” e/ou “investigar”: A investigação do Tempo Perdido. Procurar nele seu próprio sentido, sua própria pertinência.

Se pudéssemos dar continuidade a esse nosso quadro-vivo, notaríamos que cada objeto que se alude pela palavra e que se forma com ela guarda consigo a capacidade de remeter a certa quantidade de tempo: é como quando pegamos uma fotografia e vemos uma pessoa que ali se cristaliza como imagem e que agora podemos ter conosco um pouco de sua própria identidade próximo aos olhos. Concentra-se, como nesses vidros testes de perfume, uma pedra de toque feita de tempo: um espaço, curiosamente, feito de tempo. Lá pelas tantas, Proust nos diz o seguinte:

Acho muito razoável a crença céltica de que as almas daqueles a quem perdemos se acham cativas em algum ser inferior, um vegetal, uma coisa inanimada efetivamente perdidas para nós até o dia, que para muitos nunca chega, em que nos sucede passar por perto da árvore, entrar na posse do objeto que lhe serve de prisão. Então elas palpitam, nos chamam, e que logo que as reconhecemos, está quebrado o encanto. […] É assim com nosso passado. Trabalho perdido procurar evocá-lo, todos os esforços de nossa inteligência permanecem inúteis. Está ele oculto, fora de seu domínio e de seu alcance, em algum objeto material (na sensação que nos daria esse objeto material) que nós nem suspeitamos. (PROUST, 2012, pp.70-71)

Talvez pudéssemos pensar nas palavras que tingem o papel dos livros de Proust como arranjos, ornamentos carregados de Tempo que confeccionam o quarto escuro da memória: quando se escreve, marcando o pigmento na folha, a mistura entre o papel e a folha fazem emergir todo esse passado que não se é capaz de saber se é ficcional, ou se é meramente uma autobiografia. Deixemos claro: autobiografia inventada, em que a memória compõe e recompõe esse passado oriundo de lugar nenhum para lugar algum.

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Cena do filme A Hipótese do Quadro Roubado (1978), de Raoul Ruiz.  Apesar de não existir uma relação imediata entre o filme e a obra de Proust, a investigação traçada pelo curador de arte no interior do filme nos parece, a grosso modo, similar com o que pretende Proust. O curador utiliza  concepção de quadro-vivo (tableau vivant) para justificar sua hipótese sobre um conjunto de quadros do pintor fictício Tonnerre, que supostamente teria um dos quadros roubados. Os quadros, assim, são representados/performados para que se possa analisar as cenas sob inúmeras perspectivas. Proust, nesse sentido, busca em sua investigação criar um espaço de análise que seja o mais amplo possível, para que a memória em sua condição de quadro-vivo possa ser efetuada.

A partir desse momento é que podemos postular a pergunta de interesse desse texto: Por que ler Proust? O que dele aproveitar?

As más línguas sobre a prolixidade e o famoso “enchimento de linguiça” sempre recaem sobre Proust. “Uma literatura burguesa e rodeada de futilidade”. Há até quem use o termo “proustiano” para tudo aquilo que é extremamente rebuscado e confuso. Por sinal, o fato de toda a narrativa se rodear dos problemas advindos da aristocracia e da alta burguesia parisiense acabam sendo sustentáculos para esse tipo de abordagem depreciativa do trabalho de Proust. No entanto, também não viemos com o intuito de defendê-lo ou ainda fazer qualquer tribunal em cima disso: Proust está consagrado e não há necessidade de salvar quem quer que seja de sua reputação. O nosso intuito não é afirmar, mas meramente mostrar em que medida ler Proust é um acréscimo interessante a formação de um leitor.

Em um de seus trabalhos sobre crítica literária, Sobre a Leitura, Proust afirma, na contramão do que seria esperado, algo interessante a respeito da decoração dos quartos:

As teorias de William Moris, que foram tantas vezes aplicadas por Maple e pelos decoradores ingleses, afirmam que um quarto não é bonito se não contiver somente coisas que nos são úteis e que toda coisa útil, mesmo um simples prego, não deve ser dissimulada, mas aparente.  […] Mas é justamente dessas coisas que não estavam lá para minha comodidade, mas que pareciam ali estar pelo prazer, que meu quarto tirava, para mim, todo seu encanto. […] Deixo as pessoas de bom gosto fazerem de seus quartos a própria imagem de seu gosto e de entulhá-lo somente com as coisas que seu gosto aprove. Para mim, não me sinto viver e pensar senão num quarto onde tudo é criação e linguagem de vidas profundamente diferentes da minha, de um gosto oposto ao meu, onde eu não reencontro nada de meu pensamento consciente, onde minha imaginação se exalte e sinta mergulhada no seio do não-eu; (PROUST, 1989, pp. 14-19)

A partir desse trecho a respeito das decorações inglesas de William Moris, é possível observar que existe uma pretensão em compreender o espaço de habitação através de uma ótica minimalista: em outras palavras, transformar o espaço de convívio e de residência em um ambiente limpo, com menos apetrechos e que seja tomado apenas por objetos verdadeiramente úteis a rotina. Entretanto, e aqui Proust evidencia de modo bastante claro a sua contrariedade, em que medida é possível notar nossa própria personalidade ou características em um cômodo de que é retirado todo e qualquer elemento de composição que não seja útil? O que é absolutamente limpo, arejado e útil é também desprovido de qualquer traço de personalidade. Um bom quarto, assim como uma boa casa, ou qualquer objeto que nos pertença, é que ela seja marcante em função daquilo que não constitui utilidade, mas sim por sua inutilidade, por sua falta de função, pela bagunça e o não proveitoso que ali reside. Eis o que Proust faz com a escrita: o rebuscamento é um capricho, mas capricho esse necessário, dado a refletir os detalhes da realidade que é composta de inutilidades.

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Uma discussão nos corredores da ópera (1889) – Jean Béraud. A Recherche, em linhas gerais, como extremamente preocupada com o registro da vida burguesa, se dá demasiadamente a discutir questões relacionados às fofocas/fuxicos da vida parisiente. Em particular, somos conduzidos a conhecer os boatos dos salões parisienses, como é o caso da Sra. Verdurin, burguesa de grande fortuna que reúne alguns amigos pseudo-intelectuais para difamar e supostamente agregar importância ao seu salão, competindo diretamente com os salões aristocráticos vigentes. Essa preocupação de Proust em registrar os detalhes que provém de todas as estirpes sociais parece vir, em grande parte, de suas leituras de Balzac.

Podemos dizer que ler Proust é se doar a ouvir os fuxicos da vida parisiense, da aristocracia decadente, ou da criadagem de uma casa burguesa, porque neles há um fragmento do Tempo, de uma experiência temporal através das sensações da vida costumeira e ordinária. Essa leitura complexa, analítica e investigativa nada mais faz do que se focar em compreender o que poderia ser a conversa de portão entre seus vizinhos ou aquele fuxico da mercearia sobre fulano-de-tal-que-saiu-com-beltrana-lá-no-baile-da-matinê. A inutilidade dos eventos do Tempo, que efetivamente se perdem, contém dentro de si essa capacidade de armazenar e guardar essas sensações de tal forma que o inútil é capaz de ser a escrita de uma obra de arte com 3500 páginas. Aqui trazemos um exemplo até bastante curioso, e pouco usual, de como o que era inútil de repente ganha uma dimensão de imensidão telescópica, mesmo sendo por si só inútil. Quando o narrador tem a oportunidade de conhecer uma das personagens mais interessantes e polêmicas do romance, Albertine, uma simples aproximação focada em notar os detalhes absolutamente banais da personagem, causam uma curiosa reflexão sobre a relação com os defeitos:

Sem dúvida, mesmo antes de comparecer àquela reunião, Albertine já não era absolutamente para mim esse fantasma único, digno de assombrar a nossa vida, que permanece para nós uma passante de quem não sabemos nada, a quem apenas vislumbramos. Seu parentesco com a Sra. Bontemps já restringira aquelas hipóteses maravilhosas, fechando uma das vias por onde podiam espalhar-se. À medida que me aproximava da jovem e mais a conhecia, esse conhecimento efetuava-se por subtração, sendo cada parte de imaginação e de desejo substituída por uma noção que valia infinitamente menos [grifo nosso], à qual em verdade vinha juntar-se uma espécie de equivalente, no domínio da vida, ao que as sociedades financeiras dão após o reembolso da ação primitiva, e que elas chamam de ação de usufruto.[…] Outro limite foi a sua amabilidade, enquanto, bem junto de Albertine, eu tornava a encontrar o sinalzinho que tinha ela na face, abaixo da vista; enfim, admirei-me de ouvi-la servir-se do advérbio “perfeitamente” em vez de “completamente” ao falar de duas pessoas, dizendo de uma: “É perfeitamente louca, mas muito gentil, afinal de contas”, e de outra: “É um senhor perfeitamente vulgar e perfeitamente aborrecido”. Por pouco agradável que seja esse emprego de “perfeitamente”, indica um grau de civilização e de cultura a que eu não podia imaginar que houvesse atingido a bacante de bicicleta, a musa orgíaca de golfe. […] As qualidades e os defeitos que uma criatura apresenta dispostos no primeiro plano de sua face arranjam-se numa formação muito diversa quando a abordamos por um lado diferente – como, numa cidade, os monumentos espalhados em ordem dispersa numa linha única, sob outra perspectiva escalonam-se em profundeza e trocam suas grandezas relativas. (PROUST, 2012, pp.528-529)

É notória a imensa quantidade de detalhes apresentados sobre Albertine em uma análise que envolve o contexto de seus encontros nas praias de Balbec. O processo de descrição é enredado com minúcias completamente inúteis, como o fato de ela utilizar o termo “perfeitamente” em vez de “completamente”, supostamente confundindo o sentido de unidade de um objeto perfeito que constitui um sentido positivo quando, em verdade, trata-se de um sentido depreciativo. Entretanto, o fato de a personagem perverter, ou ainda utilizar de forma equivocada o conceito de perfeição faz com que o narrador perceba a preocupação de Albertine em seu pensamento de buscar compreender ou ainda denotar determinado comportamento de um indivíduo sem que seja, necessariamente, ruim. Esta constatação faz o narrador ponderar que a mudança de perspectiva das qualidades e defeitos de um indivíduo são perfeitamente passíveis de serem recompreendidas, revisitadas e até reconsideradas, em que o que parece supostamente qualidade ou defeito, sob outro ângulo pode ganhar outra visagem.

Um pequeno freio. Prestemos atenção: um detalhe, uma forma de expressão, a saber, a troca de um termo pelo outro, conduz o narrador reponderar a sua própria concepção de Albertine. Este mesmo narrador, por sua vez, é o mesmo que faz um comparativo entre o relato de alguém e a sua apresentação e como ali há uma decepção inevitável, em que não podemos encontrar as mesmas características que nos haviam sido descritas. De repente, através desse detalhe absolutamente irrelevante em relação a uma perspectiva global, compreende que é através dessa revolução na perspectiva de determinado assunto, é que se faz possível compreender a beleza ou grandiosidade na atitude de uma personagem.  Aliás, é típico de Proust com essas observações de ordem banal faz que a compreensão das personagens se modifique em relação ao narrador, o que demonstra claramente que o narrador é intimamente ligado a um processo de aprendizagem em relação ao ambiente que o rodeia. Aprender, para Proust, recai nessa ideia paradoxal de que na mesma medida em que lemos esses acontecimentos nas páginas do romance (acontecimento estes também lidos pelo narrador), eles são ao mesmo tempo escritos pelo narrador, como se na medida em que relembra seu passado, ele também é refeito e reinterpretado de forma a termos o Em Busca do Tempo Perdido agindo de modo efetivo como romance.

Aqui podemos determinar o aspecto nevrálgico sobre as razões para se ler Proust: a construção e invencionice de uma escrita do passado que se projeta em uma relação com o presente. Ler é escrever, junto do narrador, uma narrativa que rememora essa lembrança que não exatamente possui uma origem, tampouco um fim, mas que garante uma relação com esse tempo perdido sem um espaço preciso e que nos é recuperado. É nesse sentido que o último volume do romance, Temps Retrouvé, também conhecido como Tempo Redescoberto ou Tempo Reencontrado, adquire sua pertinência, pois o próprio processo de desenvolvimento do romance cumpre a tarefa de buscar o tempo que se acabou (esse passado que existe na memória) e com ele criar a narrativa que lemos no instante em que abrimos o livro. A leitura de Proust, em suma, muito mais se trata de um processo criativo e de esforço em poder acompanhar a trajetória intelectual do narrador e suas discussões (discussões essas que, definitivamente, são pertinentes para nós e nossa vida), e juntamente do narrador aprender com elas ou sobre elas.

Pensamos que a leitura do Em Busca do Tempo Perdido não necessariamente é a leitura de um romance para nos entreter, tampouco para que saiamos mais instruídos ou cultos sobre a vida ou a realidade. Em verdade, é o tipo de consideração pouco ou nada pertinente sobre a obra de Proust. Ler Proust é desenvolver uma perspectiva, uma oportunidade de fazer com que o quarto escuro que nosso pensamento possa ser completado por mobílias outras que, talvez, não tenham sido pressupostas nele, ou ainda que pudessem ser elaboradas por nós e não sabíamos de modo a nos vermos como diferentes em relação a nós mesmos. Poder manejar a constatação terrível da destruição dada pelo Tempo é um tema que é inescapável a todos os viventes, e certamente a obra de Proust interessa pela tentativa de resposta que se deposita nessa investigação sui generis.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS/SUGESTÕES DE LEITURA:

AUERBACH, E. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva: Editora da Universidade de São Paulo, 1971.

BENJAMIN, W. A Imagem de Proust, In: Obras Escolhidas I – Magia e Técnica, Arte e Política – Ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. Ed. Brasiliense.  São Paulo: 2014.

CANÇADO, J. M. PROUST – As intermitências do coração e outros ensaios, Ed. UFMG, 2008.

DELEUZE, G. Proust e os Signos. 2. ed. trad. Antonio Piquet e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.

POULET, G. O Espaço Proustiano. Trad. Ana Luiza B. Martins Costa. Ed. Imago. São Paulo: 1992.

PROUST, M. A Fugitiva. Trad. Carlos Drummond de Andrade. Ed Globo. São Paulo: 2012.

PROUST, M. À Sombra das Raparigas em Flor.. Trad. Mario Quintana. São Paulo: Ed. Globo, 2012.

PROUST, M. Contre Sainte-Beuve – Notas sobre crítica e literatura, Trad. Haroldo Ramanzini, Ed. Iluminuras, 1988.

PROUST, M. Correspondências Proust/Gallimard. Trad. Helena Bonito Couto Pereira. Ed. EDUSP. São Paulo: 1993.

PROUST, M. No Caminho de Swann. Trad. Mario Quintana. São Paulo: Ed Globo, 2012.

PROUST, M. O Tempo Redescoberto. 15. ed.  trad. Lúcia Miguel Pereira. São Paulo: Editora Globo, 2009.

PROUST, M. Sobre a Leitura, Trad. Carlos Vogt. Ed. Pontes Editores, 1989.

PROUST, M. Sodoma e Gomorra. 15. ed. rev. por Olgária Chaim Féres Matos. São Paulo: Globo, 2001. 499 p. (Em busca do tempo perdido, 4). ISBN 8525005231 (broch.).

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Sobre o autor

Tarik Alexandre
Mestre em Filosofia (UFPR). Pesquisador de teoria da literatura. Editor da Tudo éX Texto e das editoras Urso e BuruRu. Tem experiência como revisor de textos acadêmicos e literários, além de leitura crítica. Oferece seus serviços de Revisor e leitor crítico no Laboralivros.

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Mestre em Filosofia (UFPR). Pesquisador de teoria da literatura. Editor da Tudo éX Texto e das editoras Urso e BuruRu. Tem experiência como revisor de textos acadêmicos e literários, além de leitura crítica. Oferece seus serviços de Revisor e leitor crítico no Laboralivros.

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