LEITURAS XENÓLOGAS | A noção de liberdade na literatura abolicionista norte-americana, por Isabela Bueno

Tendo em vista a pertinência das discussões a respeito das minorias e da descolonização pela abolição, Isabela Simões Bueno traça um itinerário ponderando as concepções entre teóricos a respeito da condição do ex-escravo na sociedade estadunidense. Com uma exegese rigorosa e precisa, é realizada uma cartografia das tendências intelectuais fomentadas pelos autores, nos permitindo conhecer um tema que ainda nos é contemporâneo e de grande pertinência.

 

Uma das temáticas mais pungentes da tradição filosófica talvez seja a da liberdade. O que é ser livre? Como definir o que é liberdade? É a liberdade um direito adquirido ao nascer, ou conquistamos a condição de seres livres ao longo da vida? Qual a relação entre liberdade e autonomia –podemos considerarmos livres se nossos semelhantes não o são?

Grandes nomes da Filosofia Ocidental, desde Aristóteles até Jean-Paul Sartre, passando por Santo Agostinho, Jean-Jacques Rousseau e Karl Marx, dedicaram boa parte de seus estudos a questões como essas, ou pelo menos delas derivadas. Entretanto, como seria falar de liberdade a partir de um outro ponto de vista, a saber, daqueles que justamente foram privados de gozar dela?

 O presente texto busca ouvir outras vozes nesse debate. Não voltaremos a mencionar nos parágrafos seguintes os importantes nomes supracitados, mas procuraremos tratar das mesmas questões que eles trataram. Os protagonistas, aqui, serão os afro-americanos; e o contexto, o regime escravocrata instaurado na América até o século XIX.

Tendo isso em vista, debatemos brevemente nesse espaço as diferentes ideias de liberdade apresentadas por autores abolicionistas norte-americanos, a saber, Olaudah Equiano, Harriet Jacobs, David Walker e Frederick Douglass, cada qual inserido em seu próprio contexto histórico e social. A escalação desse conjunto de escritores não é por acaso. Temos entre eles a narrativa de um ex escravo liberto e tornado self-made man; os escritos perturbadores de uma jovem ex escrava em fuga; as poderosas palavras de um dos principais ativistas do século XIX nascido no seio do regime escravocrata; e ainda os apelos de um jovem homem livre contra a opressão e a injustiça. Entre eles, um elo em comum: o anseio pela libertação de seu povo.

 Nossa jornada inicia-se em 1789, com a narrativa autobiográfica de Olaudah Equiano. Nela, o autor relata sua trajetória desde a Nigéria, onde nasceu e viveu até ser sequestrado por um trio de caçadores de escravos aos 11 anos de idade, até as Treze Colônias americanas –mais especificamente, a Virgínia- e, posteriormente, sua jornada como homem livre e comerciante marítimo até a Inglaterra.

Em verdade, é em 1765 que seu antigo dono, Robert King, promete a ele a oportunidade de comprar sua própria liberdade assim que ele fosse capaz de juntar a quantia de quarenta libras, equivalente ao preço que King teria pago em Equiano. A fim de completar a tarefa, o escravo iniciou seu trabalho como comerciante nos navios de King, de maneira adjacente aos afazeres que deveria realizar para seu senhor. Um ano mais tarde, em 1766, ele finalmente tem sua alforria assinada: Equiano é agora, de jure, um homem livre.

A descrição do autor do momento exato da assinatura de sua alforria pode ser encontrado ao longo do sétimo capítulo de sua autobiografia, no qual ele expressa sua visão e seus sentimentos em tornar-se liberto. Em um dos excertos, Equiano narra:

“De acordo, ele [King] assinou a manumissão aquele dia; para que então, antes da noite, eu que tinha sido escravo pela manhã, estremecendo na vontade de outrem, agora virei meu próprio mestre e completamente livre. Pensei que esse era o dia mais feliz que havia presenciado; e minha alegria foi ainda elevada pelas bênçãos e preces da raça vestida de negro[1], particularmente dos mais velhos, a quem meu coração sempre esteve ligado com reverência.” (EQUIANO, p. 64, tradução nossa)

 Ao longo da totalidade do sétimo capítulo e considerando a citação acima e dos aspectos aqui descritos, compreendemos que a jornada de Equiano em direção à liberdade baseia-se em uma perspectiva essencialmente capitalista: é através da compra de si mesmo, de seu corpo e de sua liberdade, e de seu próprio esforço individual para arrecadar a quantia necessária para tal que ele se torna um homem livre. A visão do autor sobre o processo em direção a sua própria liberdade e também sobre o que significa “ser livre”, enquanto enquadrada em um panorama próprio do capitalismo, valora o individual antes do senso de coletividade. Sua determinação em tornar-se um homem livre é autônoma, e, de acordo com seu entendimento, depende somente de si próprio.

Em outras palavras, o que encontramos em Equiano e suas memórias é um sujeito liberal, um self-made man cuja liberdade não engloba aqueles que vieram antes ou virão depois dele. O que ele almeja com sua liberdade é, antes de tudo, sua autonomia e aptidão para exercer o ofício de comerciante e ganhar seu próprio dinheiro. O desejo de Equiano por liberdade, destarte, realiza-se no mundo branco –em sua moral e em seus valores.

Como muitos outros autores negros no século XVIII, Equiano escreve em resposta a dois imperativos: por um lado, uma motivação interna de se estabelecer como sujeito que fala, dotado de voz e opiniões; e, por outro, uma motivação externa oriunda do movimento abolicionista. Ambos os aspectos, todavia, figuram como paradoxais. Enquanto os abolicionistas brancos incentivavam a literatura de ex-escravos letrados num esforço de combater a ideia de que negros eram seres inferiores e irracionais, naturalmente predispostos à escravidão, a tradição filosófica iluminista interpretava a condição do negro aliada à falta de razão e, portanto, de capacidade de agir e falar por si mesmo (MARREN, 1993, p. 94).

Por esse motivo, a narrativa de Equiano é moderada e exclui diversos aspectos e acontecimentos de sua vida. Ao se dirigir a uma audiência de leitores composta quase exclusivamente por homens brancos, e tendo em mente seu desejo de ser por eles validado, são raros os momentos nos quais deparamo-nos com sentimentos de raiva ou ódio ao longo de sua autobiografia.

Na contramão, David Walker apresenta uma abordagem diferente, quase oposta à de Equiano. Seu polêmico Apelo de 1829 era endereçado a um conjunto de leitores completamente distinto, o que explica o motivo de suas visões a respeito da liberdade serem opostas. Enquanto os leitores da autobiografia anteriormente citada eram majoritariamente homens brancos, Walker dialoga diretamente com os escravos, convidando-os a rebelarem-se contra seus mestres: eis o motivo de suas palavras serem menos moderadas que as de Equiano. Ele não precisava e nem desejava esconder sua raiva –na verdade, um dos principais elementos de seu Apelo é o explosivo confronto com os valores e com as ações dos senhores brancos.

Walker acredita no dever da violência. Inspirado na Revolução Haitiana (1791 – 1804), o autor aprendeu o poderoso apelo do radicalismo, e constantemente convoca o povo negro à ação durante seu texto. O Apelo, por tal razão, foi um documento revolucionário que circulou secretamente entre os escravos, e já nas primeiras páginas se lê:

“Não temam o número e a educação de nossos inimigos, contra quem nós devemos afirmar nosso direito legal; garantido a nós pelo nosso Criador; por que devemos ter medo, se Deus está, e continuará (se continuarmos humildes) ao nosso lado? O homem que não luta sob nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, na gloriosa e celestial causa pela Liberdade e por Deus –a ser alcançada pela mais condenada, abjeta e servil escravidão, da qual um povo se aflige desde a criação do mundo, até os dias de hoje- deve ser mantido com todos seus filhos ou família, na escravidão e nas correntes, para ser massacrado por seus inimigos cruéis” (WALKER, p. 15, tradução nossa)

Neste excerto, é também pungente, além do chamado de Walker à ação direta, sua motivação religiosa. Como mencionado anteriormente, a violência é, ao seu ver, um dever –um dever para com Deus. Walker ainda acusa, ao longo de seu texto, os brancos de serem “maus cristãos”, vivendo erroneamente aos olhos de Deus, pelas atrocidades cometidas contra o povo negro. Destarte, o agir com violência e a revolta contra o tratamento desumano ao qual os escravos foram submetidos é, mais do que uma sugestão, um apelo, uma necessidade na luta pela igualdade.

O pensamento de Walker, portanto, revela uma perspectiva na qual a violência é emancipatória, e, mais do que isso, é o único caminho possível para conquistar a liberdade em meio a uma sociedade que, concomitantemente ao brado entusiasmado de valores cristãos de igualdade e amor ao próximo, infere incontáveis agressões ao povo negro com o mesmo entusiasmo.

Considerando esse importante aspecto do pensamento abolicionista de Walker, podemos seguramente identificar um senso de coletividade muito maior em sua visão a respeito da liberdade do que encontramos nas palavras de Equiano. Walker não almeja ser um indivíduo livre: almeja seu povo livre. Tampouco quer ele tornar-se parte do convívio social branco ou incorporar seus valores cristãos deturpados, e é por esse motivo que sua escrita pôde assumir um caráter mais cortante e ácido que a de Equiano. Ademais, é por isso que a violência destaca-se como principal ferramenta para a libertação em seu Apelo. É somente por meio da luta de todos as pessoas negras, homens e mulheres, que a liberdade pode ser conquistada. Posteriormente no texto, o autor evoca sua audiência:

“Olhe para sua mãe, sua esposa e seus filhos, e responda a Deus Todo Poderoso; e acredite que não há maior dano em matar um homem que está tentando te matar do que há em beber um gole d’água quando se está com sede; na verdade, o homem que permanece imóvel e deixa com que outro o mate é pior que um infiel, e, se tiver bom senso, não deveria ser lamentado.” (WALKER, p. 30, tradução nossa)

Ao pedir que seus leitores olhem para suas mães, esposas e filhos, Walker ressalta seus anseios por uma coletividade livre, não somente por sua liberdade e autonomia individual.

Essa perspectiva supra-individual parece ser compartilhada por Harriet Jacobs em sua narrativa Incidents in the Life of a Slave Girl, publicado em 1861. O texto, publicado por Jacobs sob o pseudônimo de Linda Brent primeiramente em um jornal e posteriormente em formato de livro, corajosamente aborda, além da luta pela liberdade, as vivências próprias da escrava em sua condição de mulher. É a partir desse lugar de fala que Jacobs aborda temáticas como o abuso e assédio sexual a ela infligidos por seu dono, Dr. Flint, e ainda suas dificuldades e angústias em exercer seu papel de mãe.

Ao invés da perspectiva individual de liberdade, Jacobs está constantemente na companhia de seus familiares ao longo de sua trajetória, o que torna suas decisões suscetíveis às implicações que podem ter para sua avó, personagem de suma importância em sua vida, e seus filhos. O tempo de Jacobs não é o mesmo tempo de Equiano, ao passo que passado, presente e futuro agem com diferentes intensidades sobre ela. Quando sua determinação em direção à liberdade é motivada muito mais pelo ímpeto de salvar seus filhos do que salvar a si mesma, parece correto dizer que sua visão sobre si mesma recai com mais força nas categorias de “mãe” e “neta” do que na categoria de “indivíduo”.

Jacobs descreve suas preocupações em relação a seus filhos e sua genuína tristeza em vê-los sob a condição de escravos em diversas passagens de sua narrativa. Ao longo do capítulo XVI, intitulado Cenas da Plantation, a autora chega a mencionar que seria mais fácil ver sua filha morrer do que vê-la sofrer tanto diariamente. Nas próprias palavras de Jacobs:

“Eu trabalhei dia e noite com a desgraça perante mim. Quando deito ao lado de minha filha, eu sinto o quão mais fácil seria vê-la morrer do que ver seu mestre açoitá-la, como diariamente vi que fazia com os outros pequenos. O espírito de suas mães foi tão destruído pelo chicote ao qual eles estavam em frente, sem coragem para protestar. Quanto mais devo eu sofrer, antes de ser destruída a esse nível?” (JACOBS, p. 473, tradução nossa)

Torna-se evidente que a liberdade de Jacobs não pode ser entendida, muito menos concebida, separadamente de sua maternidade. Ela possui um dever para com seus filhos, assim como em Walker existia um dever para com Deus, e sua motivação não vem da busca por sua própria autonomia. Ao contrário, sua força e determinação vem de sua família.

Harriet Jacobs recebe apoio durante toda sua vida como escrava de sua avó, uma das personagens mais importantes na narrativa, que a auxilia a aprender a lidar com o sofrimento e a dor constantes em seu dia a dia na plantation. A autora também menciona que sua avó, descrita como “uma mulher notável em muitos aspectos” (JACOBS, p. 332), além de aconselhá-la, havia tentado comprar sua liberdade repetidas vezes, a fim de resgatá-la da situação de escrava, talvez acometida pelo mesmo sentimento da própria Jacobs perante seus filhos.

Em suma, somente conseguimos compreender a concepção de Harriet Jacobs sobre si mesma ao considerarmos também sua família, tanto gerações anteriores quanto posteriores a ela. Isso afeta diretamente sua ideia do que é liberdade: tendo em mente seu dever para com seus filhos e seu senso de gratidão e respeito em relação a sua avó, é impossível entendê-la como uma mulher livre caso seus ascendentes e descendentes ainda estejam em grilhões.

Por fim, porém não menos importante, ainda outra visão a respeito da temática da liberdade é apresentada por Frederick Douglass, um dos principais nomes do abolicionismo norte-americano, em seu discurso intitulado What To The Slave Is The Fourth of July? (O Que É Para O Escravo o Quatro de Julho?). Na ocasião da data comemorativa do Dia da Independência dos Estados Unidos em 1852, o autor dirige-se a uma audiência composta exclusivamente por pessoas brancas e critica abertamente a hipocrisia de seus valores baseados no sofrimento e na exploração das pessoas negras. Elucidativamente, ele constata que a liberdade da população branca é diretamente extraída da (falta de) liberdade das pessoas negras, e é por isso que, ao longo de todo o seu discurso, Douglass sempre menciona e refere-se exclusivamente à sua audiência, nunca incluindo a si próprio: ele utiliza termos como “sua independência”, “sua nação”, “sua liberdade”.

Baseado na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, Douglass indaga a seus interlocutores brancos: “são os grandes princípios de liberdade política e de justiça natural estendidos a nós?” (DOUGLASS, p. 4). Sua conclusão é, naturalmente, que não o são. Por mais que ele considere o Quatro de Julho como “o primeiro grande acontecimento” na história da nação americana, ele acredita que “sua independência [das pessoas brancas] somente revela a distância imensurável entre nós [negros e brancos]”.

A noção de liberdade de Frederick Douglass é, portanto, relacional, na medida em que é entendida a partir de uma relação social –no caso, desigual-, e não como um valor absoluto ou um estado passível de ser compartilhado por todos. Enquanto sua audiência branca é livre para celebrar o Quatro de Julho, seus companheiros negros são escravizados e têm a eles a liberdade negada desde o nascimento. Dessa maneira, como previamente mencionado, a liberdade dos senhores é diretamente extraída da liberdade dos escravos. O próprio título do discurso propõe uma pertinente questão (o que é para um escravo o Quatro de Julho?), a qual Douglass firmemente responde:

“Um que dia revela para ele [o escravo], mais do que todos os outros dias do ano, a bruta injustiça e crueldade das quais ele é constantemente vítima. Para ele, a celebração de vocês é uma farsa: a liberdade que vocês ostentam, uma licença profana para sua grandeza nacional, vaidade vultuosa; seus sons de comemoração são vazios e insensíveis; suas denúncias de tiranos, imprudência revestida de bronze; seus gritos de liberdade e igualdade, zombarias vazias; seus hinos e preces, seus sermões e graças, com toda a sua solenidade religiosa são, para ele, mera fraude, fraude, decepção, impiedade e hipocrisia –um fino véu para encobrir crimes que desgraçariam uma nação de selvagens” (DOUGLASS, p. 6, tradução e grifos nossos)

Douglass constrói seu argumento anti-escravidão e seu apelo pela liberdade e maior igualdade baseados na noção de que o escravo é também um homem, e que a liberdade não deve ser negada a nenhum homem. Conforme dito por ele, todo homem sabe que ser a escravidão não é a ele adequada, e portanto não deve ser privado de ser o mestre de seu próprio corpo.

À guisa de conclusão, considerando o pensamento dos quatro autores brevemente introduzidos nesse presente texto, lançamos mão da tentativa de entender o conceito de liberdade sob diversos outros prismas, seja tal conceito considerado individual, social, geracional ou relacional. Enquanto Equiano se apresenta como um indivíduo autônomo, almejando ocupar a mesma posição de seus antigos senhores, David Walker acredita em um corpo social independente como o único caminho para a liberdade. Harriet Jacobs, por outro lado, considera seu dever para com sua família, e não cogita a possibilidade de ser livre sem que esse status também inclua seus filhos e sua avó. Ainda, Douglass, em uma perspectiva mais ideológica, compreende a desigualdade entre a concepção de liberdade das pessoas brancas em relação às pessoas negras, sendo a primeira extraída diretamente da segunda.

Independente das diferenças que podem ser encontradas entre os quatro autores, o que converge é um anseio, um grito que até os dias de hoje encontra dificuldades em ser ouvido: o grito daqueles que por muito tempo foram privados daquilo que para a tradição ocidental parece amplamente difundido e partilhado: a condição de ser livre.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BHABA, Homi K. “DissemiNation: Time, Narrative, and the Margins of the Modern Nation.” Nation and Narration, pp. 291 – 322. Londres: Routledge, 1990.

DOUGLASS, Frederick. What Is To a Slave the Fourth of July? Nova York, 1852. Disponível em: http://teachingamericanhistory.org/library/document/what-to-the-slave-is-the-fourth-of-july/ (Acesso: 08/03/2019)

EQUIANO, Olaudah. The Interesting Narrative of the Life of Olaudah Equiano, or Gustavus Vassa, the African. In: GATES, Henry Louis Jr. (org.) The Classic Slave Narratives, pp. 1 – 225. Nova York: NAL, 1987.

JACOBS, Harriet. Incidents in the Life of a Slave Girl. In: GATES, Henry Louis Jr. (org.) The Classic Slave Narratives 413 – 572. Nova York: NAL, 1987.

JOHNSON, Walter. Soul by Soul: life inside the antebellum slave market. Cambridge: Harvard University Press, 1999.

MARREN, Susan M. “Between Slavery and Freedom: The Transgressive Self in Olaudah Equiano’s Autobiography”. Modern Language Association’s PMLA, 108(1), pp, 94 – 105. doi: 10.2307/462855. Nova York: Moder Language Association, 1993.

WALKER, David. Appeal to the Coloured Citizens of the World. Carlisle: Applewood Books, 2008.

[1] O termo aqui utilizado por Equiano é “sable race”. A palavra “sable” significa estar “vestido de negro”, e carrega um duplo sentido: pode, primeiramente, ser interpretada como referência à “escuridão da alma”, escuridão essa que é má e profana; ou, ainda, como a literal “escuridão da pele” dos escravos nas Treze Colônias. Faça-se notar que o termo não possui necessariamente uma conotação negativa, como parece ser o caso quando usada por Equiano, ao passo que “sable” também é o nome anglo-saxão para a zibelina, animal cuja pele é comercializada e extremamente valiosa. É plausível, embora impossível de determinar com precisão, que o uso da expressão “sable race” tenha sido utilizada aqui com uma conotação positiva, referindo-se ao povo negro como valioso e precioso.

 

SolunãoIsabela Simões Bueno é mestranda em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e graduada pela mesma instituição. Durante a graduação, realizou um estudo comparativo da pop art e do expressionismo abstrato sob o prisma da subjetividade do artista. Atualmente, no mestrado, atua na linha de pesquisa de Ética e Política, com enfoque no trabalho do filósofo camaronês Achille Mbembe como forma de atualização e deslocamento do pensamento foucaultiano para as periferias do capitalismo. Além da atuação na Filosofia, percorreu países como Azerbaijão, Reino Unido, Bulgária e Turquia participando de concursos de música como cantora solo e é formada em Canto Popular pelo Conservatório de MPB de Curitiba (CMPB).

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