AUTORAMENTE | Poemas de Alexandre Kramer

Condenado a viver

Correndo pela rua, sem pensar em nada

Fugindo de toda essa palhaçada

Chego ao bar, tomo outro gole,

Acendo outro cigarro, nada me comove

Compus mais uma música, para não ser tocada

Converso sobre o livro, nasceu mais um aristocrata

Tanto estudo para nada

Tantas madrugadas rodadas

Tantas frases decoradas

Tantas noites embriagadas

Não sei mais quem sou

Nem quem quero ser

Sou apenas mais um

Condenado a viver!

Quem cantas?

Cantai-vos

Cantais

Cantaremos

Quem canta, já disse alguém!

Seus males espantam

Se encanta

Encantas com males

Se com males encantar

Quem encantado, não sabe que tem males

Maléfico de quem não canta

Mais maléfico ainda, quem canta

Pois

Quem canta, seus males espantam

Para que seus males encantem

Um outro alguém que não canta

Vivente

Olhos arregalados pelo sol

Caminhando pelas estradas

Gritando, vejo ao meu redor

Até atrás

Imagens destorcidas

Incógnitas surreais

Sei, tenho que continuar

Sei como vai acabar

No lapso da vida

Reparar que vivera deveras

Nascendo estou novamente

Em uma vida prudente inconsciente!

Alexandre Kramer é poeta, professor, design instrucional, revisor de conteúdo, revisor ortográfico e apreciador de boas bebidas e boas risadas.

Nascido em Curitiba, porém cansado dessa província, o sentimento materno e a paixão por ela ainda são os mesmos, mas não consegue mais se adequar aos meandros curitibocas, com seus grupos fechados de narizes para o alto e olhares de canto de olho, tendo a absoluta certeza de serem melhor que qualquer outro ser no planeta.

Está, nesse momento, tentando uma fuga para uma casinha ou um barco ao pé da serra, na beira de um rio, longe daquelas pessoas e perto do mar.

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