RESENHA |A Missão, Stefani Paludo

Distopia (s.f)

  1. Lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação; antiutopia.

“A Missão” é o exemplo de livro que prende o leitor em cada palavra, até que seja consumido com certa urgência. A autora conseguiu juntar ficção científica e aventura nas doses perfeitas, com leveza e sem deixar a leitura cansativa. O livro é narrado por personagens diferentes – assim como seus pontos de vista – o que deixa tudo mais interessante e menos cansativo. Paludo distribui cada gênero sem exageros ou coisas desnecessárias para a história. Tudo se encaixa.

A história se passa em um futuro que deu errado – mais conhecido como distopia – a partir de uma doença que se espalhou e dizimou a maioria da população. Entre flashes de passado e presente (dividos em pré e pós conflito) o leitor pode entender os motivos que acabaram levando a sociedade futurística e problemática a acontecer, como também as consequências de sua criação. O conflito ocorre por uma doença desconhecida e letal que mata suas vítimas em menos de um dia. Cientistas do mundo inteiro tentam descobrir uma solução – sem resultados sucessivos – e a única saída acaba sendo uma nova sociedade isolada com uma seleção rígida de quais seriam seus habitantes. É decidido que esse novo país ficaria localizado na Floresta Amazônica (pela proximidade com recursos naturais e isolamento) e cada nação teria direito a um número limitado de habitantes selecionados, preservando a cultura de cada um deles. A intenção seria criar uma realidade “perfeita”, um lugar melhor, em que todos tivessem o espaço que precisariam, mas, como em qualquer governo regido por seres humanos, a corrupção, maldade e principalmente desigualdade sobreviveu junto com os últimos habitantes da terra. Anos depois da criação dessa sociedade “perfeita”, um grupo de pessoas (em maioria militares) que não estão contentes com a forma de governo decide agir para derrubá-lo, criando planos e organizando uma rebelião bem abaixo do nariz de seus goverantes.

“A Missão” é o livro que te faz lembrar de “Jogos Vorazes”, “Divergente” e “Starters” ao mesmo tempo, mas o melhor é que Paludo não precisa copiar nenhuma das obras para que ela fique boa. Sua singularidade é visível sem esforço, assim como o estilo de escrita que cativa e o enredo envolente. A única coisa que poderia ser revista é a maneira de como os capítulos são distribuídos para que o leitor não se confunda entre passado e presente, porém isso não afeta na qualidade e nem no desenvolvimento da obra.

Entrelinhas, o que se tira da história é o questionamento: seria correto ir contra a “ordem”? A partir do momento em que o leitor questiona a moral, os princípios e os padrões, seria ele um ser pensante, assim como aqueles que vão contra o governo que representa essa mesma “singularidade”? É de se pensar que na verdade não existe um certo ou um errado, e sim uma linha tênue entre a sobrevivência e a ganância.

Recmendo que não apenas os fãs de ficção científica leiam “A Missão”, mas também os leitores que não estão acostumados com o gênero, uma vez que a autora tem uma escrita leve e que não dificulta em momento algum a compreensão do enredo. Aproveite a leitura!

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