RESENHA | Autoramente 2018, os contos vencedores do concurso literário

Não é segredo pra ninguém que a carreira literária é extremamente difícil no Brasil e que o mercado é dominado principalmente por grandes editoras e autores internacionais. E foi pensando nisso que a iniciativa do concurso Autoramente surgiu. Autores brasileiros e independentes que em uma parceria com a Editorial Hope, a plataforma de autopublicação LuvbookMX Gráfica e a Laboralivros inscreveram suas histórias, dentre as quais 5 foram selecionadas por votação para compor uma edição física.

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Livro Autoramente, disponível na loja virtual do Laboralivros.

Autoramente junta tudo de original que poderia: 5 autores com seus estilos e histórias, escolhidos pelos leitores para ter essa oportunidade. Dessa forma, o resultado não poderia ser diferente. Uma obra incrível com histórias interessantes e que prendem o leitor de diferentes formas.

A história que abre o livro é Baile de Formatura de Douglas Lobo. A história se passa em 1989, na escola Roberto Bolaños durante um baile, o autor deixa claro o excesso de juventude que toda a festa esbanja. Bebidas, cigarros, a sensação do proibido e de como tudo aquilo parecia durar para sempre. A presença de 5 garotas, bonitas, jovens e de certa formas fúteis, mostra como a primeira vista a história parece que vai ficar na ficção adolescentes. Contudo, não é isso que ocorre, o autor consegue dar uma reviravolta e deixar a história extremamente surpreendente.

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A segunda história fica por conta de Fábio Alex e se chama A Hora da Visita. Lembranças, é assim que o conto começa, com a protagonista lembrando de sua infância e dos medos que sentia, de uma presença desconcertante que parecia a espremer contra a cama e lhe causava medo. E é nessa pegada de lendas folclóricas que o autor conta sua história, mostrando que os medos de criança podem nos alcançar mesmo quando adultos. Brasileiríssimo, o conto ainda perpassa pela nossa incrivel mitologia e folclore.

A terceira história é de Aya Mishy e seu nome é Nosso Reduto e para mim é onde fica claro a pluralidade dos autores e modos de escrever. Em um conto bem mais leve, com Caio e Cecília somos transportados para o processo de se apaixonar desse casal. Com Cecília como uma bailarina e Caio um tatuador o relacionamento é construído aos poucos, mostrando uma leveza tão bonita que parece nos acolher. A autora trabalha as visões dos dois personagens, o que faz com que a história se torne ainda mais envolvente.

lançamento slide 2O penúltimo conto é Antes de abrir os olhos de Jon O’Brien e trata de um dos temas mais importantes para sociedade atual, a depressão e o suicidio. A história  é contada em primeira pessoa  e isso contribui para que as emoções do autor sejam passadas de forma tocante. O autor consegue mostrar como a falta de amor pode acabar por retirar toda a vontade de viver de uma pessoa. Além disso, ele consegue mostrar a dualidade de sentimentos que se passa s cabeça do protagonista, que não quer morrer, porém, não consegue ver um caminho para continuar a viver. Em um relato forte e doloroso, o autor consegue passar muito bem essas angústias.

A última história é Lunar de Hannah F. e na minha opinião é uma das mais emocionantes. Contada em forma de carta a história parece passar exatamente o sentimento do protagonista. A autora consegue passar por todos os sentimentos que envolveram o relacionamento descrito e nos deixa lições muito bonitas.

Fica claro que a coletânea do Autoramente é extremamente diversa e por conta disso capaz se agradar os mais diferentes leitores. Por isso é uma boa pedida com um único requisito, gostar de ler. 😉

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