RESENHA | Deuses da Mente, Igo Araújo dos Santos

Livro: Deuses da Mente
Autor: Igo Araújo dos Santos
Ano: 2017

Sinopse: Theodore Holger sempre teve uma vida complicada. E ser o príncipe da última cidade humana nunca ajudou em nada. O que não poderia esperar era que tudo ficaria ainda pior. Após evento bizarro, o garoto desenvolveu inexplicáveis poderes psíquicos. Em sua busca por resposta, se viu no meio de uma conspiração científica, que o transformou no alvo prioritário das forças militares de sua avó, a impiedosa rainha Aisa Holger. Obrigado a forjar alianças duvidosas e cercado de inimigos, Theodore descobre que a maior ameaça à sua vida pode ser ele mesmo.

Editora: Independente. Sem editora.

 

Os ventos da mudança sopraram, enfim, embora tivessem trazido uma tempestade consigo.

Sou uma fã de distopias de carteirinha desde que li em 2012 Jogos Vorazes. Desde então me apaixonei completamente e passei por diversos títulos como Divergente, Clã dos Magos, Bruxos e Bruxas e tantos outros. O fato dessas obras servirem como um aviso de quão sórdido pode ser a humanidade em busca de sobrevivência me cativam e possuem um lugar no meu coração. Portanto, o livro Deuses da Mente do autor Igo Araújo dos Santos já veio com uma ótima premissa para mim, prometendo unir dois estilos de que gosto muito ficção científica e distopias.

Confesso que de cara eu soube que ia gostar do livro. O modo de escrita simples, com os detalhes na medida certa e extremamente envolvente do autor me conquistou: simplesmente adoro o estilo de narrativa que ele possui. Creio que o primeiro ponto foi já apresentar um amor não correspondido do protagonista. Nosso incrível Theodore Holger, a mulher de seus sonhos parecia tão ideal quanto inatingível e de certa forma tal fato também acontecia na realidade. O livro já me prendeu aí: uma distopia começando com um amor completamente platônico? O que esse autor estava aprontando?

Poucas eram as mulheres que conseguiam fazer os hormônios de Theodore vibrarem nas veias como Jackson. Claro, via várias mulheres atraentes todos os dias, mas Jackson era completamente diferente.

A obra toma um novo fôlego ao começar descrever Theodore. Não espere um herói comum ou fora do sistema. Muito pelo contrário, ele é a personificação do poder. Ele é o príncipe de NOVA II e o sucessor de toda monarquia criada por sua família. Sua única conexão com um mundo real e menos privilegiado é feita pelo seu melhor amigo Leonardo, que tanto a personalidade como as relações que ele tem me deixaram muito satisfeita. Dessa forma, fica claro que ele cresceu rodeado por luxos, riquezas e aprendendo a ser um governante perfeito, mesmo que as vezes ele se mostre pouco satisfeito. Nas primeiras páginas fica evidente que não é do seu feitio contrariar a avó, a Rainha Aisa Nixson, que governa a cidade com mãos de ferro.

Ela é outro personagem que não é o esperado na literatura convencional, nada de avó bondosa que faz de tudo pelos netos. Não em Deuses da Mente. Antes de tudo Aisa é uma governante impiedosa e extremamente inteligente, que tem o controle da maior parte da cidade nas suas mãos. E  também é responsável pela criação que dá a história o seu diferencial de todas as outras, os pretorianos.

Uma raça de supersoldados criados em laboratório capazes de ler mentes e com uma força e agilidade jamais vista são a base da sociedade e responsáveis por manter a ordem e a integridade de todos. E é por um deles que o príncipe se vê apaixonado, a soldada Themis Jackson.

Em um ano e meio, a rainha entregou o primeiro lote funcional de Soldados Pretorianos. Cinquenta super-humanos produzidos em laboratórios; munidos do que havia de mais moderno em armas e equipamentos. Essas poucas dezenas, treinadas e comandadas por experientes generais, foram suficientes para limpar a cidade.

É desse princípio que a história parte, com o autor contando a história de Nova II que se confunde com a história do protagonista. Essa é sem dúvida uma tacada de mestre ele conta tudo que a população mais simples conhece, a história comum. O surgimento da primeira Nova após o fim da era comum e a terceira guerra mundial.  Ela surge como um oásis no meio do caos deixado. As crises que acometeram a cidade e um fator importante para a história. O surgimento da Lótus os terroristas da cidade.

Portanto, Deuses da Mente é uma história perfeita para quem é fã (como eu) de aventura, distopia e ficção cientifica com muita tecnologia e tramoias.

Mas ele não se limita a isso quando insere um conflito ainda maior na história. Theodore seria capaz de ler mentes? Mesmo não sendo um pretoriano? Seria ele mais um experimento de sua avó?

Então o garoto se vê no meio de perseguições e jogos de poder. E sabe que pode ser ele seu pior inimigo.

O autor é extremamente eficiente na construção da história. Busca mostrar como nem tudo é o que parece e como Theodore também descobre isso. Pela história é possível perceber que o protagonista também não se conhece ou sabe do que é capaz. O modo que o autor busca apoiar nisso foi uma bela jogada. O final não é em nada decepcionante, trazendo reviravoltas e novos personagens. Se o resto do livro não compensasse o final já valeria a leitura, me deixou com vontade de uma continuação.

Quanto ao aspecto gramatical da história não tenho o que reclamar. Se possuíam erros não foram reparáveis e foi tudo extremamente bem feito. A leitura é fluída. E dessa forma o escritor deixa preso do início ao fim. Isso é possivel apens com as reviravoltas e as doses de ficção científicas bem colocadas. Em um campo já tão saturado como o das distopias, sair do mesmismo é um grande mérito do autor.
O único problema, que eu daria como dica para o autor é a capa, que apesar de bonita não faz juz a incrível história que a esconde.
Assim, Deuses da Mente é uma ótima pedida para apaixonados por esses estilos ou quem queira se iniciar nessa aventura.

Você pode encontrar essa obra aqui! Leia outras resenhas também, disponibilizadas no nosso blog.

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Um comentário em “RESENHA | Deuses da Mente, Igo Araújo dos Santos

  • 4 de fevereiro de 2019 em 14:21
    Permalink

    Olá, Thalliany

    Obrigado pela resenha e pelos elogios! Confesso que vim ler com receio, afinal, esse é o meu filhote, mas não podia ter ficado mais feliz e satisfeito ao final da leitura.

    Sobre a capa: não sei qual versão você recebeu, mas troquei a arte na Amazon, porque a anterior, de fato, não fazia jus à história. Se puder, dá uma conferida.A versão na loja também está com os erros de gramática corrigidos.

    Outra vez, muito obrigado e abraços!

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