RESENHA | Torre de Papel, de Vários Autores

WhatsApp Image 2019-08-14 at 09.37.27Torre de Papel

Editora: Multigraphic

Ano: 2015

Sinopse: “São muitos os caminhos que levam a Babel. Todos eles se cruzam, se confundem, numa barafunda de trilhas, desvios, retornos, becos, atalhos. E chegando em Babe, as coisas ficam ainda mais confusas. Em seu labirinto de ruas e vielas, escritores do passado, do presente e também do futuro, se saúdam, se criticam e se felicitam. E não só escritores. Personagens também, que interagem com seus criadores (e com criadores alheios também) de igual para igual. Além disso, pensadores também são vistos por lá. E outros artistas. É uma festa, uma festa do intelecto, E dos sentidos também. Já que a literatura não é só jogo de ideias mas também de imagens, de sentidos, de impressões.”

 

Após quatro mil anos de utilização da escrita pode-se dizer que há inúmeras obras, textos e ideias registradas na História; autores que deixaram legados uns aos outros, criando e recriando mundos com diferentes métodos, e foi dessa herança que surgiu a proposta do livro “Torre de Papel”.

            A obra é um compilado de contos de 21 autores brasileiros, feita de experientes e novatos, em que a costura entre eles está na intertextualidade com outras obras tradicionais da literatura mundial.

            O projeto nasceu a partir de encontros em uma livraria de rua (que infelizmente não resistiu aos tempos modernos), onde foi juntando forma e almas inspiradas para se aventurar na união do cooperativismo de artistas com homenagens àqueles que os tocaram enquanto leitores.

            Ter 21 autores implica em 21 estilos e técnicas, mas todos possuem uma suavidade poética. Cada conto cria uma relação com personagens e figuras de autores: uma brincadeira com a personalidade do curitibano Dalton Trevisan, uma imersão na famosa obra de Umberto Eco conduzida pela poética de Paulo Leminski, ser guiado pela poesia de Carlos Drummond de Andrade em uma visita histórica, viajar e rejuvenescer diante da magia clássica dos irmãos Grimm ou subir do Inferno ao Paraíso com Dante Alighieri entre muitos outros caminhos mágicos, enternecedores e misteriosos por letras ancestrais que a leitura proporciona.

            O livro é muito bem costurado, com uma proposta muito interessante, que nos leva a mergulhar na história e revisitar a cultura que adquirimos com os anos de uma forma diversificada, com certa elegância e emoção que só os apaixonados por livros conhecem. A própria referência à Torre de Babel é uma sacada incrível sobre a multiculturalidade, confusão e mistura de sujeitos, gêneros e arquétipos que a obra proporciona.

            Esse foi o primeiro passo da façanha e, para aqueles que se embrenharam satisfatoriamente nos lençóis literários com os autores, o segundo já foi dado sob o título de “O Mistério da Biblioteca”.

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Victoria cursa Letras Japonês na Universidade Federal do Paraná, onde tem projetos voltados para a literatura japonesa. Experiência com ensino de línguas, além de fazer traduções e revisões em japonês.

 

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