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DescartatauWilliam Teca (Editora Urso, Zouk, Kotter Editorial, 2021)

Livro mais recente do poeta e tradutor William Teca, Descartatau é o resultado de sua pesquisa em Estudos Literários na UFPR. Na obra Teca analisa o livro icônico de Paulo Leminski, Catatau, de 1975. Descartatau é uma parceria entre as editoras Kotter, de Curitiba, Zouk, de Porto Alegre, e Urso, de São José dos Pinhais. Com belo projeto gráfico e texto apurado do autor, Descartatau servirá para interessados e interessadas na obra leminskiana. É um ensaio extremamente analítico com um belo trabalho com a linguagem, porém sem soar pedante e muito menos restrito apenas a “iniciados”.

No belo prefácio de Tarik Vivan Alexandre (doutorando em Estudos Literários pela UFPR), o autor aponta: “Diante disso, é evidente que Leminski foi desses que quis fazer pastiche também. Fez pastiche de Rosa, de Joyce, de Pound, dos concretos, de Descartes, de Guilherme de Ockham, dos japoneses e de todo mundo de que ele gostava e desgostava. Contudo, ele está longe de ser entendido como um monge copista ou um poeta daqueles sem grande criatividade e que se “apoia nos ombros de gigantes” para produzir algum texto interessante. Em verdade, a dissertação de Teca se concentra justamente nesse aspecto, a saber, de que a capacidade de influência dada pelos escritores admirados por Leminski jamais o confinou a ser um literato mediano ou de pouca envergadura, e sim o fizeram como transgressor que ressignifica a tradição. De forma muito bem exposta, Teca vê na concepção de polifonia de Bakhtin o segredo que faz de Leminski um poeta que na sua capacidade de degradação ou de parodização de certos temas esteja, em verdade, abrindo a possibilidade para um maior nível de sentidos ou polissemias para com a palavra, gerando sentidos novos em relação aos antecessores. São, literalmente, muitas vozes, e todas agregadas são capazes de promover uma novidade: uma criação poética única e singular”.

R$ 27,80 (https://kotter.com.br/loja/descartatau-william-teca/)

Lançamento online: 4/11, às 19h30 na Kotter TV, no You Tube.

EpykaDanilo da Costa-Cobra Leite (Cisne Edições, 2021)

O encontro com o texto de da Costa-Cobra é direto, claro, reto, mas sem dó do leitor que se aventura em suas páginas. Atitude de um escritor que não aceita o fácil, mas ama “o longe e a miragem”, qual José Régio, e apresenta abismos, torrentes, desertos (elementos necessários para garimparmos a linguagem em busca de sua trama e para que reconstruamos, por seus cacos narrativos, qualquer possível significado). 

E dizemos isso por um simples fato observado: os escritores modernos possuem a preferência pelo exaurimento de acontecimentos cotidianos quaisquer (em poucas horas e dias), reduzindo ao“essencial” e receiam impor à vida e ao seu tema, algo que ela mesma não oferece. A fragmentação, cujo objetivo é relatar sem qualquer perfeição o que aconteceu a poucos personagens no decurso de um pequeno espaço de tempo (minutos, horas e/ou dias), procura, por seu turno, reinflamar, na linguagem, a “ordem e interpretação da vida”. O resultado é que nesse processo de formação e representação, o objeto que deveria ficcionalizar a vida transforma-se em espelho, apresenta os fragmentos do próprio leitor (…) 

Epika impressiona por parecer um texto livre de influências. Sem claras ideologias, descrições pormenorizadas, loas de agradecimento a qualquer angustiosa paternidade literária, temos apenas a contextualização de realidades; da Costa-Cobra luta contra a estagnação por meio de cacos que possuem importância (primeira ação profunda contra a conjuntura do “não há nada mais a contar”) para, em profunda ironia, ler a vida de modo crítico. São os detalhes que valem a pena (…)

Da Costa-Cobra constrói um texto de forte atitude crítica, mas disfarçado em uma linguagem atualizada e totalmente quebrada. E aqui chegamos à nossa leitura- laçada final. Tal como precisamos juntar os fragmentos dessa ficção que destoa daquilo que comumente lemos, uma das intenções do livro é mostrar que a opressão fragmentou a vida, o capital destruiu a coletividade, o hodierno está em frangalhos. Mas é possível juntar. É possível coletar parte por parte para fazer brilhar, no contraste do simulacro, a esperança da vida. 

R$ 39,90 (https://mentesabertas.minhalojanouol.com.br/produto/379729/epyka)

Ave Nossa Senhora da Independência José Alfredo Santos Abrão (Kotter Editorial, 2021)

Uma reflexão poética sobre o bicentenário da Independência

Entre evocação e meditação, lirismo e monólogo reflexivo, o poema longo Ave Nossa Senhora da Independência é uma interpretação do significado do 7 de setembro – e suas consequências na formação do Brasil. 

Como numa sequência de imagens, José Alfredo Santos Abrão reconta o momento histórico da Independência, expondo orgulhos e mazelas nacionais. E faz uma leitura pessoal do papel central de Pedro I – tanto no nascimento da nação, como na formação do caráter nacional. 

E ante as tamanhas dificuldades que o Brasil enfrenta, desde então, por conta de suas circunstâncias originais, o autor apela pela intercessão de NS da Independência, a santa fictícia que dá nome ao livro. 

O poema longo Ave Nossa Senhora da Independência recebeu o prêmio de incentivo à publicação ‘200 anos da Independência do Brasil’, outorgado pela Secretaria Especial da Cultura/ Ministério da Cidadania, em 2019.  

O posfácio é assinado pela professora Olinda-Maria Azevedo Machado, e o texto da orelha ficou por conta do filósofo, poeta e tradutor Plínio Junqueira Smith

A live de lançamento

Ao lado do editor executivo da Kotter Editorial, Daniel Osiecki, e do jornalista e poeta Joel Gehlen, de Joinville, o autor fará uma ‘live’ de lançamento. O evento acontece nesta sexta, dia 29 de outubro, às 15h – com duração máxima de 90’. A transmissão será feita no programa Viva Literatura, no canal da Kotter TV no Youtube. 

R$ 39,70 (https://kotter.com.br/loja/ave-nossa-senhora-da-independencia-jose-alfredo-santos-abrao/)

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